A Semana de Alta-Costura de Paris chegou ao fim na quarta-feira (09/07/26) reafirmando por que continua sendo o palco máximo da criatividade na moda. Estreias aguardadas, despedidas de tradições históricas e avanços tecnológicos, a temporada foi marcada por coleções que extrapolaram a roupa e transformaram a passarela em um espaço de narrativa, inovação e espetáculo.
Schiaparelli transforma silicone em alta-costura

Responsável por abrir oficialmente a temporada, Daniel Roseberry voltou a provar por que a Schiaparelli é uma das maisons mais comentadas da atualidade. Em The Abyss, o diretor criativo mergulhou no universo do surrealismo e apresentou uma coleção que transitava entre o humano e o artificial.
O grande destaque foi o uso do silicone como elemento de alta-costura. Para isso, Roseberry trabalhou com um estúdio de efeitos especiais especializado na produção de bebês hiper-realistas para o cinema, transformando o material em uma nova linguagem para a maison.
A inovação também apareceu na beleza. Assinada por Pat McGrath, a maquiagem ganhou próteses de silicone aplicadas nas costas, nas orelhas e no abdômen das modelos, criando uma das imagens mais impactantes de toda a semana.
O vestido da Schiaparelli que saiu da passarela direto para Zendaya

Poucas horas depois do desfile, outro momento chamou a atenção da indústria. O vestido usado por Zendaya na première de A Odisseia, em Londres, havia acabado de desfilar na passarela da Schiaparelli, em Paris. A peça percorreu cerca de 476 quilômetros de jato particular para chegar ao evento apenas seis horas após sua apresentação oficial, mostrando a velocidade com que a alta-costura dialoga hoje com a cultura pop.
O jardim encantado criado por Jonathan Anderson para a Dior

Em seu segundo desfile de alta-costura para a Dior, Jonathan Anderson apresentou uma coleção inspirada na natureza e na obra da escultora norte-americana Lynda Benglis.
O Musée Rodin foi transformado em um jardim repleto de vegetação, reforçando a atmosfera orgânica da coleção. Nas roupas, plissados, flores, transparências, franjas e silhuetas fluidas deram vida a um romantismo contemporâneo, enquanto o trabalho artesanal apareceu em cada detalhe.
Foi um dos desfiles mais elogiados da temporada e consolidou a nova direção criativa da maison.
Iris van Herpen apresenta o primeiro vestido de plasma do mundo

Conhecida por unir ciência e moda, Iris van Herpen voltou a expandir os limites da alta-costura.
Na coleção Fractal Universe, a estilista apresentou aquele que foi definido como o primeiro vestido de plasma do mundo. A peça foi desenvolvida em parceria com cientistas, passou por processos de congelamento criogênico e recebeu uma descarga elétrica instantes antes de entrar na passarela, permitindo que o plasma moldasse parte de sua estrutura em tempo real.
Mais uma vez, Iris mostrou que tecnologia e artesanato podem caminhar lado a lado.
Matthieu Blazy leva um conto de fadas para a Chanel

Matthieu Blazy apresentou uma coleção inspirada em um livro de contos encontrado na biblioteca de Coco Chanel.
A proposta revisitou a trajetória da fundadora da maison por meio de uma narrativa delicada que transitava entre fantasia e realidade, traduzindo esse imaginário em vestidos fluidos, muitos bordados e uma atmosfera cinematográfica. O destaque veio nos acessórios, que transbordavam esse universo lúdico criado por Blazy.
A aguardada estreia de Pierpaolo Piccioli na Balenciaga

Outra grande expectativa da temporada era a estreia de Pierpaolo Piccioli na alta-costura da Balenciaga.
O designer revisitou o legado de Cristóbal Balenciaga sem abrir mão de sua linguagem autoral, apresentando uma coleção marcada por volumes precisos, construção impecável e sofisticação silenciosa.
Mas o momento mais emocionante aconteceu no encerramento. Em vez de receber sozinho os aplausos, Piccioli convidou toda a equipe do ateliê para subir à passarela, destacando que a alta-costura é resultado de um trabalho coletivo e do talento dos artesãos que tornam cada peça possível.
Uma temporada que vai além das tendências. Mais do que revelar as próximas apostas da moda, a Semana de Alta-Costura de Paris mostrou que o verdadeiro luxo continua sendo a criatividade, e segue evoluindo sem perder aquilo que a torna única, que é a capacidade de transformar roupas em verdadeiras obras de arte.

